Junte-se a nós neste Encontro Virtual.

Apresente seu nome, seu número de aluno e o número de sua Turma para ingresso no Grupo

Muitas fotos, informações e trocas de experiências 

   
O ANEL DO PELICANO

(preservada pelo Aluno 46-2087 - Zozimo Lima Filho - Turma 61 da ETAV)

   
 

Fazer parte do pequeno grupo do Serviço de Busca e Salvamento – SAR, era a glória. Esse era o meu pensamento. Ainda hoje, passados tantos anos, essa idéia ainda permanece gravada em minha mente.

Depois de ter recebido em 1947 na ETAv, o canudo de Controlador de Vôo, iniciei a minha vida profissional no recém criado Centro de Controle de Área “C” sediado em Natal e em seguida continuei a peregrinação pela Torre de Controle de Salvador, pelo Centro de Controle de Área Ä” - e Torre de Controle do Rio de Janeiro, até que em 1956 fui designado para o SAR/RJ. Estava concretizado o meu desejo, agora era só conferir.

Como me referi anteriormente, para mim, ingressar nesse pequeno grupo foi como se tivesse sido convocado para uma seleção como uma de suas estrelas. Nesse time permaneci por mais de 13 anos atuando numa das mais importantes atividades da Força Aérea Brasileira. A vida, entretanto, não é um mar de rosas, mesmo no SAR. Como soe acontecer em qualquer ambiente, vivi momentos dúvidas, de tristezas, mas também de muitas alegrias.

Nessa época o SAR tinha o suporte aéreo do excelente esquadrão de busca o 1º/6º GAv com aeronaves B-17. Tempos depois surgia o embrionário grupo do PARASAR, meio anárquico mas lutando para se estruturar. Mais tarde foi criado o 2º/10º GAv com SA-16 e helicópteros e uma equipe de militares da melhor qualidade e seu expressivo distintivo inspirado na lenda do pelicano que levou água no seu bico para matar a sede de Jesus, concepção da esposa de um dos componentes desse grupo.

Apesar dessa estrutura, o pessoal dos centros de coordenação não tinha formação especializada. Todo conhecimento aprendido e apreendido era proveniente dos manuais da USAF e da inventividade e da criação dos nossos companheiros. Faltava o aprendizado orientado para melhorar o nível do pessoal. Mesmo assim, o nosso trabalho era muito eficiente, sem falsa modéstia.

No segundo semestre de 1956, a Divisão de Busca e Salvamento da Diretoria de Rotas Aéreas – 3DR3 organizou um treinamento destinado ao aprimoramento das equipes de coordenação de busca e salvamento do SAR/RJ e do treinamento das tripulações do 1º/6º GAv. Dividido em missões, estas eram cognominadas de “Bolota” 1, 2, 3,... Em outras palavras, esse treinamento envolvia todos os procedimentos referentes à coordenação de missões e o desempenho operacional das tripulações quanto à navegação, execução dos procedimentos de busca, o lançamento de víveres e medicamentos e finalmente à interceptação diurna e noturna de uma aeronave comercial dentre muitos outros exercícios. Esse trabalho, em que pese ter levado semanas e ter proporcionado um excelente nível de capacitação, não concedeu qualquer certificação, aliás, muito certo, pois não era um estágio ou curso oficial.

Com a ativação do 2º/10º Gav na Base Aérea de Cumbica, essa unidade criou um estágio de coordenação de busca e salvamento cujo concludente recebia certificado. Eu e SO Mourão do SAR-RJ, os primeiros designados para dele participar. Fomos a São Paulo cumprimos as etapas do estágio e obtivemos o resultado desejado. Agora, de posse do canudo éramos especialistas de fato e de direito em matéria de busca e salvamento.

De regresso, o Ten. Floripes, ex-colega da ETAv e nosso chefe resolveu reunir os mais novos da nossa equipe para em breve preleção sobre a importância do estágio para especialização dos componentes do SAR. Assegurou que todos seguiriam pelo mesmo caminho. Ao término da fala, quando o chefe já se retirava, meu grande amigo sgt. Monteiro, carioca muito inteligente e manhoso como um gato siamês, com um sorriso amarelo, virou-se para os colegas e disse:

- Olha aqui pessoal, muito respeito! ZELEFÊ e o Mourão agora têm o anel do Pelicano!

Queria dizer que tínhamos recebido um “doutorado” e o um anel de formatura com o símbolo do esquadrão. Caímos na gargalhada pela imaginativa gozação. Era esse o nosso ambiente de trabalho, cercado de muita camaradagem.

E assim, todos que passaram pelo estágio também receberam o virtual anel do Pelicano, instituído pelo querido Monteiro. Há tempo atrás, o velho amigo Ten. Floripes, já na reserva no posto de major, foi covardemente assassinado por um assaltante; há uns três anos pra trás o Monteiro também de nós se despediu. Ambos deixaram um grande vazio para todos os companheiros.
Assim é a vida!

Aluno 46-2087 - Zozimo Lima Filho - Turma 61 da ETAV

 

 
 
Críticas, Sugestões, Retificações a fazer, entre em contato!
 
Encarregado Técnico: Lázaro Curvêlo Chaves Contato: https://www.facebook.com/lazaro.chaves