"Memórias de um piloto de Aviação de Reconhecimento" - Brigadeiro do Ar Elahir Amaral da Nóbrega (uma resenha)   

Dedicatória:

Caro Amigo Curvêlo

Remeto as memórias de uma saga.

"Memórias que pretendem ser um frasco de amoníaco contra a embriaguez do sonho"...

... Um Ideal!

Um forte Abraço,

Elahir Amaral da Nóbrega

        Nota Introdutória: dadas as características da Obra, este resenhista optou por transcrever alguns trechos da Obra, dada a possibilidade de a FORÇA da mensagem se perder na resenha. Sempre que possível, o relato linear foi retomado (Lázaro CURVÊLO Chaves - Presidente da ASTRA)

          Designado a prestar serviços na Amazônia, o então Tenente Aviador (cadete de 1953) Elahir Amaral da Nóbrega aos poucos se empolga com o "mar verde de floresta contínua, exuberante, hostil e majestosa de mais de quatro milhões de quilômetros quadrados.

          Em tempos de precária (ou nenhuma!) cobertura eletrônica da Região (falamos do início da década de 50 do século passado!) a navegação estimada se garantia pela observação dos rios caudalosos que constituiam verdadeiras "estradas" hidrográficas para o Aeronavegante. Reconhecer os rios da Região era fundamental:

_ O Rio Amazonas, barrento, era o único com orientação Oeste/Leste

_ O Rio Madeira, Barrento

_ O Rio Tapajós, Lindo, esverdeado e rico

_ O Rio Xingu, azul escuro

         Equipamento de rádio, havia! Gigantesco, "do tamanho de uma geladeira" e dependia da habilidade dos operadores em telegrafia. NDB [Non-Directional Beacon = Farol Não Direcional] somente em Manaus e Belém: constitui de uma gigantesca antena que emite um sinal: o piloto segue aquele o sinal de rádio naquela frequência e sintoniza (em sendo o caso) o próximo NDB...

          Primórdios Heróicos da Aviação Brasileira. E na Amazônia!

          "Onde a exceção é a regra... E a regra a exceção"

          Os pilotos da Amazônia, de fato, pertenciam a uma classe muito peculiar. Voar naquela região era diferente... E como era!

          Ao saber-se transferido para o 1º/6º GAV (Primeiro Esquadrão do Sexto Grupo de Aviação), registra o Autor:

          "Conhecer de perto um Brasil diferente fez-me viver a magnitude das plagas da Amazônia, dos grandes rios e das imensas florestas, onde a natureza parece ufanar-se da própria natureza, onde o homem se torna impotente e perplexo ante tamanha grandeza hostil e majestosa. E, sobretudo, desprovida de recursos, com um mínimo de apoio aeronáutico recomendável e, até mesmo de cartas aéreas [de navegação] confiáveis, ensejou-me alcançar condições profissionais que me concederam o privilégio de ser cogitado para a Unidade Aérea mais ambicionada da época: o 6º Grupo de Aviação.

           "O Catalina [aeronave anfíbia crucial à Região Amazônica] foi descansar após luta heróica. Deixou uma lacuna... Mas a Amazônia não ficou desamparada. A COMARA - Comissão de Aeroportos da Região Amazônica garantiu a mobilidade aérea naquela vasta Região que tem na AVIAÇÃO a solução efetiva, pronta e oportuna."

* * *
 
 

Base Aérea do Recife - Aviação de Reconhecimento

 
 

1º/6º GAV - Esquadrão Carcará
       

          O Primeiro Esquadrão do Sexto Grupo de Aviação, subordinado à III Força Aérea Brasileira, está sediado na Base Aérea de Recife e é empregado no cumprimento das seguintes missões básicas:

_ Reconhecimento Foto

_ Reconhecimento Visual

_Reconhecimento Meteorológico

RECONHECIMENTO AÉREO

       
B-17 Fortaleza Voadora

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RSC-130E Hércules

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R-95 Bandeirantes

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R-35A Learjet

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          Fortaleza Voadora B-17 volta à sua origem

SB 17G 5402 preservada na Base Aérea de Recife

          Das 12 B-17 que, efetivamente, tiveram sua vida operacional na FAB, pelo menos oito eram SB17G, entre elas, podemos citar o FAB 5402, 5406, 5408 e 5409. Em fotografias de época vê-se, comprovadamente, como o RB-17G, o FAB 5411. Já como SB17G, é possível constatar os aviões FAB 5402 e 5409. O FAB 5402 tinha o seu bote salva-vidas na cor alumínio e o radome em preto antiofuscante. No bote trazia a inscrição, nos dois lados superiores da sua proa, FAB, e abaixo, o número 02. Já o SB-17G FAB 5409, portava o bote pintado com o mesmo amarelo das faixas indicativas do Serviço Internacional de Busca e Salvamento, aplicadas na sua fuselagem e nas asas.

         Lamentavelmente, dessas belas máquinas que fizeram história nos 1º e 2º Esquadrões do 6º Grupo de Aviação da FAB, após sua desativação, restaram apenas três: a 5402, que está em monumento na Base Aérea de Recife; a 5408, que está desmontada no MUSAL; e a 5400, que foi doada pela FAB à Força Aérea dos EUA (USAF). Chegou lá voando, em impecáveis condições de voo, em 5 de outubro de 1968, pousando na Base Aérea de Andrews, perto de Washington - DC. Antes de pousá-la, a tripulação brasileira. Antes de pousá-la, a tripulação brasileira, comandada pelo então Major Aviador Elahir Amaral da Nóbrega, efetuou três belíssimos rasantes sobre a pista, homenageando os milhares de visitantes e ex-tripulantes de B-17 da 2º Guerra Mundial que foram recepcioná-la.

         Ao todo foram dezoito anos, de 1951 a 1969, de ótimos serviços prestados à nossa FAB que, como a última Força Aérea do mundo a utilizá-la, distinguiu-a da sua função primordialmente guerreira para transformá-la em mensageira da paz, levendo em suas asas ajuda humanitária e esperança!

 
Antes de passarmos ao próximo tópico, matemos um pouco a saudade desses Gigantes que venceram a II Guerra Mundial...

 

Foto Histórica: 09 de Julho de 1965 - até aquela data o 6º só contava com um avião disponível

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Foto Histórica da Formação dos B-17 por ocasião da Guerra da Lagosta - o piloto de uma destas aeronaves é o então Capitão Paulo Leal e o de outra delas o então Capitão Elahir Amaral da Nóbrega

(Clique para ampliar)

 
A MISSÃO DO 2º/6º GAv
 

 

 

           A Tarefa Operacional de Reconhecimento Estratégico atribuída ao Esquadrão deve ser entendida como missão de dupla finalidade, isto é:

         _ Aplicar o adestramento das Equipagens Operacionais de Reconhecimento Aerofotográfico em benefício das organizações militares e civis no cumprimento racional e eficaz da missão que lhes foi destinada.

EXEMPLOS: PETROBRÁS (todo o planejamento da pesquisa do petróleo foi baseada em fotografias advindas do Recobrimento Aerofotográfico de áreas sedimentares do Brasil, com ênfase para a Região Amazônica); CNG - Conselho Nacional de Geografia. Confecção de Cartas e Mapas. DHN - Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha - para a elaboração de de cartas hidrográficas de Rios e do Litoral em proveito da navegação fluvial e marítima e da construção de portos e canais.

Demais beneficiários: recobrimento aerofotográfico em trecho do Rio Paraná para a construção da Ponte da Amizade ligando a Cidade do Leste do Paraguai à cidade de Foz do Iguaçu - PR e, ainda, recobrimento de área para a construção de estrada ligando Cidade do Leste à Capital, Assunção.

 

            A "GUERRA DA LAGOSTA"       

 

           Navios pesqueiros franceses chegaram à Plataforma Continental Brasileira, ao Mar Territorial Brasileiro, em 1963, devotados à pesca de Lagostas, esgotadas em águas francesas. Apoiados pelo Presidente Charles De Gaulle que enviou mesmo o Vaso de Guerra TARTU [pronuncia-se “Tartí”, como a palavra francesa “Menu” é pronunciada “Meni”] para protegê-los foram repelidos com toda a diplomacia possível e o vigoroso empenho da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira, então sob o Comando Supremo do Presidente João Goulart que se dispunha ao uso da força militar para rechaçar os franceses: a lagosta é importante meio de vida dos pescadores BRASILEIROS. Os então Capitães da FAB Paulo Leal e Elahir Amaral da Nóbrega atuaram decisivamente no reconhecimento das forças francesas a serem rechaçadas de nossas águas. Dialogando com os lúcidos, plenos e vivamente ativos mesmo na inatividade Leal e Nóbrega levantamos os dados preliminares abaixo.

            Nota: o texto abaixo nos traz informações PRELIMINARES, extraídas de Trabalho escrito pelo Major Brigadeiro Nóbrega, atuante naqueles eventos com acréscimos e comentários do Capitão Paulo Leal, o Aluno 42-043 - LEAL – o Especialista Mais Antigo Vivo, que generosamente nos apresenta o tema, que vamos aprofundando e retificando à medida que os vamos compreendendo a pleno com a ajuda e a paciência do nosso Zero Um e de seu Amigo, também cadete de 1953, o Brigadeiro Nóbrega. 

Guerra da Lagosta – Uma Surtida de Reconhecimento

            Em 1963 são observados cinco barcos pesqueiros franceses em águas territoriais brasileiras em pesca predatória da lagosta.

            Os pescadores franceses, após a exaustão do crustáceo na costa da França, tentavam prosseguir no Brasil a pesca criminosa, que, além de ofender a nossa soberania, causavam considerável prejuízo às empresas exportadoras e aos pescadores brasileiros cujos frutos do mar era a fonte de sua atividade empresarial e de subsistência, respectivamente.

            Ações diplomáticas foram inúteis e o Presidente João Goulart, em última instância, asseverou que manteria a soberania do Brasil em suas águas territoriais, até mesmo com o emprego das Forças Armadas, se necessário fosse.

            O Governo Francês, pressionado por parlamentares daquele país, decidiu-se a enviar, à costa Nordeste do Brasil, uma Belonave com o fito de proteger os barcos pesqueiros.

            A crise se agravara!

            O 2º/6º GAv recebe a missão de Reconhecimento da Área conflagrada.

O B/17 - 5407 empregado durante a Missão

            Na Quarta-Feira de Cinzas daquele ano de 1963 decolou da Base Aérea de Recife um RB17 G, pilotado pelos Capitães Aviadores Paulo Moreira Leal e Elahir Amaral da Nóbrega. A missão foi cumprida mesmo com a ameaça de plataformas de lançamento de mísseis apontadas para nós.

            A Surtida foi bem sucedida!

            Após o processamento dos negativos, levamos as fotografias para os Almirantes e Brigadeiros no QG da Segunda Zona Aérea.

            A interpretação fotográfica feita pelo Capitão Leal identificou a Belonave como sendo o TARTU. Belonave de 144m e fortemente armada.

            As missões prosseguiram e, cada vez mais, as atitudes beligerantes do Tartu se desvaneciam e, até mesmo, acenos de marinheiros franceses eram dirigidos para nós.

            Cumpri as missões transportando jornalistas e profissionais do cinema para registro da ameaça que passou para a história como “GUERRA DA LAGOSTA”.

            Finalmente, nunca é demais salientar que entreguei, em Novembro de 2010, ao Comandante do 1º/6º GAv, cópias das fotografias da Surtida que mantive em meu poder durante estes 47 (quarenta e sete) anos.

 

Reconhecimento Meteorológico

            O Serviço de Meteorologia da Aeronáutica, atendendo a solicitação do 6º GAv, indicou o Major Especialista em Meteorologia Schede para ministrar instrução de “CÓDIGO RECCO” aos Pilotos do 2º/6º GAv a fim de que fossem proficientes em previsões meteorológicas do interesse daquele serviço.

            Em atenção à solicitação do Ten. Cel. AV Tabyra de Braz Coutinho, da Segunda Zona Aérea, para escalar nas missões do Esquadrão dos Oficiais Especialistas daquela Zona Aérea, prontamente concordei e solicitei àquele Oficial a aprovação, junto à Zona Aérea proposta, para que os referidos Oficiais Especialistas em Meteorologia fossem qualificados como Tripulantes Orgânicos do 2º/6º GAv de acordo com o Padrão de Eficiência previsto para a Unidade Aérea; e, ainda, serem aprovados no curso de Instrução Terrestre e Aérea – CÓDIGO RECCO – conforme as normas do Esquadrão.

 
ANIVERSÁRIO DO 6º GRUPO DE AVIAÇÃO

               Nos dias de hoje o 1º/6º GAv ao permanecer fiel a sua história e tradição reviverá, em 20 de Novembro de 1976, o mesmo ideal que inspirou o piloto do passado ao elaborar a seguinte Ordem do Dia:

           Ordem do Dia

           6º Grupo de Aviação!

           Hoje, 20 de Novembro de 19768, completas doze anos de existência. Os militares que te serviram rendem-te as homenagens pelo muito que de ti receberam. Nestes longos anos soubeste engrandecer a Força Aérea Brasileira no cumprimento das notabilizantes missões de Busca e Salvamento e Reconhecimento-Aerofotogramétrico.

           Fazendo Busca e Salvamento muitas vezes conduziste a aeronave em pane para o pouso certo, muitas vezes foste a esperança que restou ao doente grave, socorrendo-o em sua pobreza de recursos, muitas vezes te constituíste na última chance do perdido...

           Sim, no anonimato de teus feitos escreveste as mais belas páginas que o sentimento humano poderia escrever: - "A de servir com todo o sacrifício e denodo sem a espera de qualquer recompensa, até mesmo do plácido agradecimento".

            _ _ Cumpriste o teu dever!

            Fazendo Reconhecimento-Aerofotogramétrico, acabaste com o empirismo obsoleto dos planejamentos infecundos. Levaste para os órgãos desenvolvimentistas nacionais a riqueza de nossas plagas, as informações indisputáveis à solução dos problemas, o contorno dos nossos rios, a exuberância de nossas matas, a configuração de nosso território, transformando aqueles planejamentos improfundos em realidade científica. Sim, a tua missão foi anônima, mas arrancaste do anonimato a grandeza do Brasil.

          _ _ Cumpriste o teu dever!

          6º Grupo de Aviação!

          Nós militares de ontem e de hoje, que te serviram e que te servem, te agradecemos neste dia por teres transformado o sonho de criança dos tempos idos em ideal emocionante de homens do presente.

         _ _ Cumpriste o teu dever!

 

 
1º/6º Grupo de Aviação e os Hércules C 130

 

           Em dezembro de 1968, o então Major Aviador Elahir Amaral da Nóbrega partiu com a Equipagem para Marietta / Carolina do Sul (EUA) e, na Lockheed, receberam os ambicionados Hércules C-130.

             A desativação do 6º GAv suscitou o advento do 1º/6º GAv com a dotação de três Hércules RSC130 E, sob o comando do Tenente Coronel Aviador Vicente de Magalhães Moraes.

             De outra parte, o Major Nóbrega assumiu a Chefia da Seção de Operações da Unidade, com a missão de capacitar as Equipagens remanescentes do 6º GAv no emprego dos Hércules e nas mesmas Tarefas Operacionais teve sua implantação facilitada pelas modificações que o transformou em aeronave competente nas missões para a qual foi preparado na Fábrica Locheed, principalmente de Reconhecimento.

 
Comando do 1º/6º Grupo de Aviação - Esquadrão Carcará

             O então Tenente Coronel Aviador Elahir Amaral da Nóbrega recebeu o comando do Tenente Coronel Aviador Samuel de Barros Wanderley Filho, em 27 de Janeiro de 1975, e o transmitiu, em 11 de Janeiro de 1977, ao Tenente Coronel Aviador Eli Jardim de Mattos.

             Em 1975, durante uma reunião com oficiais e graduados, entre outros assuntos, o Tenente Coronel Nóbrega mostrou interesse em dar um nome sugestivo para aquela Unidade.

               Das sugestões reverberadas, uma sobressaiu: CARCARÁ!

               E o 1º/6º GAV passou a ser - Esquadrão Carcará!

               No transcurso de 1976, lembrando-se da Ordem do Dia do aniversário do 6º Grupo, o Tenente Coronel Nóbrega fez questão de enviá-la aos Oficiais Aviadores que nele serviram. Até hoje realiza-se, com entusiasmo, o aniversário do Encontro Carcará.

 

APÊNDICE (A sair publicado na Segunda Edição destas Memórias)

             Há narrativas, há histórias e há carreiras que deram certo e merecem ser escritas para enriquecer a memória de uma organização.

             "Prestigiar o Mérito é investir no Futuro de uma Instituição"

             Ao navegar pelos meandros de meu arquivo, deparei-me com uma carta escrita ao saudoso amigo, Brigadeiro Tarso Magnus da Cunha Frota, que relata aspectos proeminentes de uma vida que não deve cair no esquecimento.

            _ A oferta e a aceitação

           Caro Amigo Cunha Frota

           Li a poética matéria de tua lavra na Revista Aeronáutica: O B-25 E A LAGOSTA.

           Por oportuno, gostaria de recordar algo que construímos e que hoje colhemos...

           _ os frutos de uma ação que deu certo.

           Nos idos de 1971 servia no GABAER e você era o Comandante do GTE.

           O Capitão Astor Nina de Carvalho Netto, na eminência de transferência do 1º/6º Gav da Base Aérea de Recife, consultou-me sobre as condições profissionais em Brasília. Não titubeeei; e, prontamente, fui ao teu encontro e ofereci o capitão Astor, ressaltando as qualidades operacionais e profissionais demonstradas, quando tenente, sob o meu comando no 2º/6º Gav.

           Lembra-te?

           Declaraste que infelizmente o efetivo da unidade estava completo, não havendo vagas disponíveis para atender-me.

           Compreendi perfeitamente, lamentando os óbices apresentados pelo meu amigo, Comandante do GTE (Grupo de Transporte Especial)

           Dando por encerrado o caso, qual minha tão grata surpresa, quando me anunciaste:

           Acabo de incorporar o Capitão Astor ao GTE.

           E o Capitão Astor iniciou a construção de um ditoso futuro.

           O tempo passou.

           No fim daquele ano de 1971, ainda, me informaste: "Nóbrega, tenho o prazer de comunicar-te que, em atenção à determinação do Chefe de Gabinete do Ministro, acabo de indicar o Capitão Astor Nina de Carvalho Netto para servir na Presidência da República"

           E o jovem Capitão Astor, com muito entusiasmo, após cumprir às etapas operacionais previstas para um piloto de One-Eleven, para seguir destino, apresenta-se ao Ministro da Aeronáutica.

           A alegria durou pouco!

           "Qual não fora sua frustração, quando, ao apresentar-se ao Ministro Araripe, segundo normas para Oficiais da Presidência da República, fora convocado para ser seu Ajudante de Ordens."

           Mostrei-lhe, no intuito de dourar a pílula, aspectos positivos de tão nobre convite.

           O Capitão Astor permaneceu no Gabinete do Ministro até o posto de Major, quando foi para Santa Cruz de La Sierra, por indicação do próprio Ministro Araripe. Até hoje, lembra com grande emoção a verdadeira amizade e admiração mútua que, entre eles, nasceu!

          Caro Cunha Frota, o impulso que demos, na vida profissional daquele capitão, seguiu adiante com toda força. O Major Astor passou a ser convidado, a servir nas mais significativas organizações da Força Aérea, pelos méritos conquistados com esforço e desprendimento.

           Foi "Tríplice Coroado" nos cursos de pós graduação - Tática Aérea, Estado Maior e Superior de Comando. Digno de menção o diploma obtido, com destaque, na Faculdade de Economia do Recife, culminando, com convite pelo Superintendente da SUDENE, para nela servir.

           Finalmente, o Astor decolou para viver uma justa, merecida e venturosa carreira, chegando a Chefia do Estado Maior da Aeronáutica - cargo que ocupou por mais de dois anos; e...

           Tudo começou com uma oferta e uma aceitação!

           Após 46 anos de serviços o Tenente Brigadeiro Astor chega ao fim de uma admirável jornada para desfrutar de um merecido descanso - assim pensei.

           Engano meu!

           Surpreendentemente me informa a aprovação na Faculdade de Direito.

           Eleito pelos colegas foi "Orador da Turma", cujo discurso engrandeceu a magnitude da indicação.

           Não poderia deixar de consignar, o gesto singelo e profundo, da entrega do seu diploma, pelas mãos de seu filho Professor Paulo Gustavo Medeiros Carvalho.

         

 
Coroando uma Carreira de Sucesso Dedicada à Operacionalidade da Força Aérea Brasileira

 
                                                                             
 

 

 

Brigadeiro Nóbrega narra suas epopéias ao Presidente da ASTRA, que o escuta atento e toma notas!

 

Brigadeiro Nóbrega, Brigadeiro Leal e Professor Lázaro Curvêlo

Foto: Ana Cristina Leal Lauande

 
 
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Encarregado Técnico: Lázaro Curvêlo Chaves Contato: https://www.facebook.com/lazaro.chaves